* A verdadeira história da Chuva - Final


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As partes 1 e 2 podem ser vistas AQUI e AQUI

Foi paixão à primeira vista, já se sabe. Logo ali o coração de ambos jurou amor eterno, viesse quem viesse.

Mas veio o Sol. E o Vento.

A princípio, ainda estremunhados, quase foram cúmplices desse amor, pelo que já contei (do que me contaram os pássaros, claro).

Depois, como a função do rei Sol sempre foi aquecer, e a do Vento, dispersar, o que se passou foi inevitável: Alva, a nuvenzinha vestida de mulher, foi-se esvaecendo, meia levada no vento, meia evaporada pelo sol... e dali a pouco só restavam floquinhos brancos reflectidos teimosamente nos olhos de Romindo.


Ah, mas amor é amor e este tinha nascido para ser um amor eterno!... Dali em diante, todas as manhãs e todas as tardinhas, naquela hora em que a Paz parece descer sobre a Terra em passos de silêncio e luzes de médio fulgor, ela lá estava, esperando o olhar dele!... Sempre linda e donairosa, ora vestida de branco, ora vestida de rosa, ora vestida de azul... às vezes enfeitada de estrelas, às vezes cheia de lua, às vezes de lua nova...



Romindo vinha sempre, ao cimo do monte de onde a vira a primeira vez... Ficavam extasiados, a olhar um para o outro e a falar coisinhas patetas (nesse tempo as nuvens falavam, lembram-se...?), tipo "Hoje vai estar um dia lindo, não vai?..."; "Gostas de mim, muito, muito, muito?..."; "Vou ter tantas saudades tuas!...". Pronto, essas coisas desnecessárias que os namorados dizem, enquanto os olhos dizem um ao outro aquilo que realmente é importante: "amo-te, amo-te, quero-te..."



Mas aí é que começou o problema. Nesse "querer". Como é que um homem ia "querer" uma nuvem?... As leis desse tempo, apesar de serem todas naturais e sem aditivos preconceituosos, eram já leis. E diziam que homem nenhum podia casar com uma nuvem. Onde já se viu?... Era anti-natural, e já vimos que as leis eram naturais, nesse tempo!

Foi um drama! Quando, de cabeça ainda nas nuvens, depois de Romindo a ter pedido em casamento, Alva foi pedir permissão ao rei Sol, e ele só lhe deu uma gargalhada, ela quase caíu do Céu Azul...



Pobre Alva! A gargalhada do Sol foi tão sonora e sarcástica, que todo o Céu e a Terra ouviram, nuvens e gentes. Vieram logo todos, prontinhos a bisbilhotar. E todos, uns querendo adular o rei, outros querendo menosprezar o sonho, gargalharam com ele, condenando por unanimidade o amor de Alva e Romindo.



O pobre Romindo, caído das nuvens, jurou viver triste para sempre...

Alva... bem, com Alva aconteceu uma coisa estranha e inédita: ela ficou tão triste, tão triste, que toda a sua alma feita de pequeninas gotículas de água pura, quis morrer. Ela começou a definhar, a ficar cinzenta e disforme... uma força tão grande como o amor que tinha por Romindo, começou a puxá-la para a Terra e toda ela era desejo de o tocar, de o abraçar...



Dizem que veio morrer com ele, no mesmo sítio onde se viram pela primeira vez... Caíu do céu em lágrimas, banhou-o de amor, e morreram abraçados, felizes...

Nesse mesmo local jorrou uma nascente, da água mais pura e límpida que a Terra já fez nascer...



Parece que esta história de amor se repetiu muitas vezes, em todas as terras, em todos os tempos, com outras nuvens e outros mancebos. Aliás, parece que ainda acontece, sempre que chove...

14 comentários:

  1. Uma fofura! Eu adoro esse blog, Chica!
    Beijoquinhas, muitas!

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  2. Isto não é uma historinha, Chica. Isto é um encanto! Fiquei deliciada. Tens cá um jeitinho ....
    Beijinhos.

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  3. Minha querida eu concordo com a maria Letra , esse conto e um encanto cheia de magia do amor
    bjs

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  4. Oi Chica, li a primeira, a segunda e a parte final, postada hoje.
    Nossa, eu bobona como sou, apaixonada, sonhadora...fiquei a ver nuvens...
    Que amor lindo.
    Acho que vou querer namorar uma nuvem.
    :)
    Me sinto uma menininha nesse momento.
    Amei, amei.
    Beijos.

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  5. Oi Chica , é lindo, amor sempre amor, não vê diferenças apenas se ama.Vamos as nuvens quando amamos.Beijos.

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  6. Ah, o Amor!
    Chica eu amo esse sentimento, ele é maravilhoso!
    Beijossssssssssss pessoa linda!

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  7. Chica, vc é demais emtodos seus blogs.
    Vale a pena visitar cada um.

    Bj

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  8. Um texto incrível.
    As historias de amor comove céus e terra.

    Um beijo querida.
    Fernanda.

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  9. Chica, já lhe mandei o semeador, desculpe, quase esquecia a promessa! Obrigada por tudo isso, você é única!... uma verdadeira semeadora de estrelas, e florzinhas, e amizade, e ternuras, e.......

    Beijinho, grande como o Atlântico todo e mais um pedação de terra de vera cruz!

    Tera Sá

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  10. Obrigado Teresa pela presença no sementinhas, o que nos dá sempre prazer!beijos,chica

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  11. Oi Chica, que singela e linda histórinha de amor. É sempre encantador tudo que leio aqui.

    BeijooO*

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  12. Então, sempre que chove, há uma nuvem a morrer de amor... Que lindo, Chica!
    Beijos na sua alma linda!

    PS: Seu blog já está na lista de parceiros, viu? Obrigada por divulgar meu trabalho, amiga!

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  13. Histórias de amor são sempre comoventes. Com chuva com sol. E vindas de você então...lindas.

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  14. Bonito, mas prefiro um amor que escolhe a vida a dois, pois mesmo que as chances estivessem contram, eles poderiam lutar contra elas...

    Fique com Deus, menina Chica.
    Um abraço.

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♥ ♥ ♥ Fico feliz de te ver aqui, falando comigo!beijos,chica ♥ ♥ ♥