O ELEFANTE “PICOLÉ”
Dante Marcucci
Melhor ficar bem sentado
Pra escutar o que vou falar.
É dum elefantinho engraçado
A historia que vou contar...
Vai cansar se ficar em pé.
Porque a historia é interessante...
Vou contar do PICOLÉ,
Que era o nome do elefante...
Não sei porque esse nome...
Isso é nome de animal?
Vai ver é por causa da fome
Que ele tinha, anormal...
Mas até que era bonitinho
Aquele bicho gozado...
O corpo todo verdinho,
Com o rabinho encarnado...
O problema é que ele queria
Dançar balé e sapateado...
E sapato não cabia
Naquele pezinho “delicado”...
Numa loja o elefantinho
Pediu pra experimentar...
Quando chegou no banquinho,
Foi só sentar e quebrar...
Ah! E tem mais...o chulé!
Não tinha ninguém que aguentava
O cheiro do Picolé...
Quem não fugia, desmaiava...
Talvez ele nem precisasse
Dum sapato pra dançar...
Mas se ele escorregasse,
Até o palco ia despencar!
Assim saiu procurando
Em tudo que é loja e butique
E acabou encontrando
Um calçadinho bem chique!
Não era sapato comum:
Era um tênis bem branquinho
Numero oitenta e um!
E ainda apertava um pouquinho...
Picolé todo faceiro,
Não parou mais de dançar.
Era valsa, xote, boleiro,
Só que...faltava um par!
Procurou, muito entretido,
Uma companheira de dança.
Tinha que ter braço comprido
Pra abraçar aquela pança...
Encontrou uma macaquinha
Da família chimpanzé...
Braço comprido ela tinha,
Mas não aguentou o chulé!
Picolé ficou chateado,
Queria um par pra dançar...
Só que de rosto colado
Era difícil de achar....
Mas um dia ele encontrou
E ficou feliz da vida...
Teve um bicho que o abraçou,
Tava a coisa resolvida...
Não é que uma lula gigante
De dançar também gostava...
Abraçava o elefante
Só com um braço e inda sobrava...
Picolé ficou feliz e dançava
Com a nova amiga e sorria.
Pulava e rodopiava
Todos passos que sabia...
A lula toda enrolada
No enorme barrigão...
Só que a dupla ficou cansada,
Acabou sentando no chão...
Picolé aproveitou
Pra tirar o seu sapato...
-“que alivio”, suspirou,
-“Ficar descalço é um barato!”
O elefante não lembrou
Do problema que ele tinha.
Abriu os dedos, coçou...
Quase matou a lulinha!
Saiu correndo, assustada:
-“ Que é isso, Picolé?”
-“ Nem uma lula gripada
Aguenta esse seu chulé!”
Pensou que tinha acabado
Essa historinha tão triste?
Elefante apaixonado
Sempre dança e não desiste!
Logo encontrou a saída
O elefantinho passista...
Ia dançar com a lula vestida
Com roupa de escafandrista!
Tudo ficou resolvido
Pra lulinha e pro Picolé...
Aquele dançarino sabido,
Fedia, mas não era Mané!
* imagem daqui





















