O VAGALUME ADALBERTO
Dante Marcucci
Pode ir chegando mais perto,
Que agora eu vou contar
A historinha do Adalberto...
Com certeza vai gostar!
Nessas histórias capricho...
Tudo que eu conto é invenção!
Dou nome pra cada bicho,
Só pra não dar confusão...
Hoje eu falo é do Adalberto,
Um vagalume muito faceiro.
Eita bichinho mais esperto!
Nem sabe como era arteiro...
Era um bichinho cascudo,
Pretinho como um carvão,
Com um bigode cabeludo...
Mas nariz? ...tinha não!
Tinha uma luz de cada lado,
No meio do cabeção,
E um pescoço gozado,
Que estralava de montão!
Seis pernas bem fininhas,
Acho que só pra enfeitar...
Andava batendo as asinhas,
Só queria saber de voar...
Entrava pela janela,
Não me deixava dormir,
Com aquela luzinha, igual vela,
Só queria se divertir!
Logo ficou meu amigo,
Companheiro de leitura.
E ler é legal, eu te digo!
Mesmo numa noite escura...
De noite a mãe apagava
Toda luz e o lampião...
Só o Adalberto brilhava
No meio da escuridão!
Mas o vagalume gostava
De escutar uma historinha...
Vinha vindo, se encostando:
-“Da pra dar uma lidinha?”
Como é que eu ia dizer não?
Depois, eu também gostava...
Só que a iluminação,
Reginaldo é que arrumava!
Então eu pegava um livrinho
Com algum conto intrigante.
Logo chegava o bichinho,
Com sua lanterna radiante...
Pousava em cima da folha
Com sua luz iluminando...
-“Agora tá claro: Olha!
Vai lendo ai e contando...”
Ler o Reginaldo não sabia,
Porque não tinha estudado.
Mas escutava e sorria...
Já viu bicho formado?
Ia andando de vagarinho,
Em cada palavra parava...
Eu lia então direitinho
E o vagalume escutava...
Depois ia se movendo,
Iluminado a história...
Eu fazia que tava lendo,
Sabia tudo na memória!
Mas o Reginaldo ouvia,
prestava muita atenção...
Aos poucos ele aprendia,
Sem professor nem lição!
Ia aprendendo as letrinhas,
E a maneira de escrever...
Até umas palavrinhas
No fim já sabia ler...
Foi aprendendo calado,
Já lia tudo, na hora!
Eu já andava preocupado...
“Quando aprender, vai embora...”
Ai eu fico sozinho,
E com a luz apagada...
Se não tiver o bichinho,
É só dormir e mais nada!
Só que eu fui mais esperto,
Achei uma palavrinha...
Reginaldo chegou perto
E acendeu a sua luzinha...
Leu, mas não entendeu,
E então tive que ensinar...
É Isso ai que apareceu,
É como eu vou te chamar...”
Vou te chamar de PIRILAMPO!
Reginaldo não ficou contente...
-“ Até já sei o que é isto...
Mas se não for nome de gente...
Não leio mais, eu desisto!