♥A coruja viajante ♥


Teresa Cristina/Flor de Caju


Dentro, muito dentro da floresta viviam as corujas. E toda noite elas acordavam, fosse noite estrelada, fosse noite de completa escuridão, ah, em noites de luar elas agitavam as asas e voavam acordando a todos os animais.


Mas as noites chegavam ao fim. E nessa noite, era já quase madrugada quando...


Vruckt! Passa de repente uma coruja branca num agitado rufar de asas.


Uma coruja velha pergunta:


_ Aonde vais, querida? (disse preocupada por uma coruja querer andar quase em horas de o sol nascer).


_ Vou viajar e conhecer o mundo, disse a coruja colocando a mala no chão. E sentou em cima dela muito calma.


A floresta se calou por medo do que poderia acontecer com essa mudança de hábitos das corujas. Imagine se outros animais resolvessem também viajar? Ai, ai! A floresta ficaria diferente. E agora, quem iria piar nos galhos da velha árvore de pau-brasil?
Meu Deus, que desastre! Que desastre!


Lá para o nascente, os gaviões começaram a erguer as poderosas asas para o voo matinal em que fiscalizavam tudo, inclusive os animais da floresta.


Mas a coruja mesmo sabendo que seria perseguida pelo gavião, resolveu partir.


E viajou ainda na madrugada para ganhar tempo.


Vruckt -vruckt! Faziam suas asas no silêncio da manhã que ia quase nascendo.


Quando percebeu estava numa cidade pequena, mas as torres da igreja alta.


_ É para lá que vou, pensou a coruja e arrastou sua mala num voo deslizante céu abaixo.


Naquele instante. o padre batia o sino chamando para a oração matinal.


_Que badalar alto de sinos!_ Resmungou a coruja, que desistiu de fixar moradia na torre da igreja.


Resolveu voar mais um pouco antes do sol nascer completamente.


Nisso, chegou numa fazenda com o cantar dos galos. “Cocorocó”, gritava um galo de grandes esporões bem no terreiro.


_ Uau, minha santa mãezinha! Esse bicho deve passar o dia fazendo barulho e como vou dormir? Falou para si a coruja já cansada de voar com sua mala.


Finalmente, quase o sol despontando por trás das árvores, a coruja avistou um fazendeiro com um balde subindo a porteira do curral.


_ Mooom! , mugiam as vacas.


A coruja gostou daqueles animais tão gordos e grandes e com um som estranhamente de quem não se importa com o homem mexendo em suas tetas para tirar leite.


Olhou ainda do alto e viu uma mulher pela janela da cozinha. Vinha um cheiro de alimento tão bom e se ouviu:


_ O café está quentinho! Venha, José, que está na mesa.


A coruja baixou e pousou numa madeira da cerca. Olhou de lado, virando seu pescoço e esperou para ver quem era o José.


_ Meu pai do céu!


Thuckt-thuckt! Thuckt-thuckt! Fazia o trenzinho que um menino pilotava. “Atenção, Seu maquinista, bota fogo na fornalha!”, a coruja ouviu o menino gritar na brincadeira do trenzinho de plástico.


A coruja nem quis saber de mais nada. Pegou sua mala e resolveu voltar o mais rápido para casa.


Quando chegou, não falou coisa alguma. Não contou do sino da igreja, nem do cocorocó do galo e muito menos que ficara apavorada com um menino brincando de trenzinho. Pois chegou num voo silencioso, colocou a mala num canto de um galho e fechou os olhos para descansar.


Nunca mais se ouviu dentro da floresta que a coruja quisesse viajar. E ninguém até hoje sabe por que as corujas ficam escondidas dentro da floresta ou da mata. Eu só descobri que a coruja viajou e voltou sem abrir a mala por, acreditem se quiser, eu sonho com os animais da mata brasileira todas as noites. Parece mentira, mas é possível acreditar.


Flipt-flit, flopt, flopt! Que a história terminou!

8 comentários:

  1. A coruja viajante,
    lá no meio da floresta
    acordou toda a gente
    a barulho da sua festa.

    Digo mas não sei,
    só estou imaginando
    da sua escrita gostei
    para a coruja olhando!

    Vaidosa toda ela,
    naquele galho foi pousar
    tem cuidado com a esparrela
    para ela não te entalar.

    Até pode não ser verdadeira,
    mas, tudo fará para agradar
    com a sua divertida brincadeira
    para ninguém apoquentar!

    Tenha um bom fim de semana amiga Chica, um abraço.
    Eduardo.

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  2. Que história gostosa de ler! Eu nunca tinha pensado nesse mistério, agora revelado! rsrs Beijo! Renata e Laura

    Fiquei pensando: não é por acaso que gosto de corujas!! Barulhos me perturbam bastante. rs

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  3. Uma história linda e há realmente muito mistério a respeito das corujas.
    Adorei ser revelado.
    Bjs-Chica.
    Carmen Lúcia.

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  4. Oi Chica,
    Gostei da história da coruja, mas tenho receio delas.kkk
    Beijos no coração

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  5. Chica, linda a história,!
    Acho as corujas lindas e enigmáticas!
    Tenho um certo medo delas!
    Beijos
    Amara

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  6. Cada um com sua natureza, assim são os bichos também! Aventura não estava nas veias dessa formosa corujinha. e completo com um dizer bem popular "cada macaco no seu galho" Eu amei ler, amo historinhas infantis, também pudera, professora com alunos de 8 anos, quanto li! Parabéns a Flor de Caju! Beijos!

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  7. Que legal Chica, faz um tempão que não leio a Terezinha.
    Adorei a estoria bem enredada.
    Aplausos para nossa amiga e grato pela partilha.

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  8. Gostei muito!
    Li pras crianças aqui em casa
    Dudu achou legal e a Tessalia achou engraçado rs!
    Bjuss!

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♥ ♥ ♥ Fico feliz de te ver aqui, falando comigo!beijos,chica ♥ ♥ ♥