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♥ A lua cheia e a casa do fim da rua ♥


                                                                      imagem daqui


Era uma casa no fim da rua.

Todas as noites os morcegos voavam sobre a casa.

Havia nela uma chaminé alta por onde eles passavam para dormir.

Então, um dia, a lua apareceu no céu.


De início, a lua surgiu baixa, como se estivesse no chão da rua.

Uma lua como se fosse uma abóbora, para se estender no chão!

Sabe o que faz uma lua cheia assim?

Ela toma de conta de toda a rua jogando raios de luz nas casas.


Mas a lua caminhava.

E nada melhor do que

ficar sentada no céu

olhando a chaminé

da casa no fim da rua.

Quando a lua parou, toda a casa se pintou de laranja.

Foi um libertar de morcegos que voaram pelo céu com tanta claridade.
E invadiram as árvores, as torres da igrejinha e o alto de um morro que ficava por trás da casa do fim da rua.


E no céu se desenhou uma nuvem escura de morcegos, momentaneamente, na frente de uma parte da lua.

— Quem foi que colocou uma cortina na minha frente?, — perguntou a lua?


Nem se sabe como foi a resposta, se houve alguém que respondeu a essa pergunta feita num salto que a lua deu fugindo da nuvem de morcegos.

Impulsionada pelo salto, a lua passou por cima da chaminé da casa e ficou mais ao lado, quase inclinada para o telhado da sala, de modo que uma menina que estava em sua janela ficou admirando o luar.


Como a noite estava muito quente, a lua sorriu para a menina e foi indo se balançando para uma praia.

E a lua foi no vento...

Colorindo todo o céu de um laranja-vivo que é para deixar saudades!

 Teresa Cristina flordecaju.

♥A coruja viajante ♥


Teresa Cristina/Flor de Caju


Dentro, muito dentro da floresta viviam as corujas. E toda noite elas acordavam, fosse noite estrelada, fosse noite de completa escuridão, ah, em noites de luar elas agitavam as asas e voavam acordando a todos os animais.


Mas as noites chegavam ao fim. E nessa noite, era já quase madrugada quando...


Vruckt! Passa de repente uma coruja branca num agitado rufar de asas.


Uma coruja velha pergunta:


_ Aonde vais, querida? (disse preocupada por uma coruja querer andar quase em horas de o sol nascer).


_ Vou viajar e conhecer o mundo, disse a coruja colocando a mala no chão. E sentou em cima dela muito calma.


A floresta se calou por medo do que poderia acontecer com essa mudança de hábitos das corujas. Imagine se outros animais resolvessem também viajar? Ai, ai! A floresta ficaria diferente. E agora, quem iria piar nos galhos da velha árvore de pau-brasil?
Meu Deus, que desastre! Que desastre!


Lá para o nascente, os gaviões começaram a erguer as poderosas asas para o voo matinal em que fiscalizavam tudo, inclusive os animais da floresta.


Mas a coruja mesmo sabendo que seria perseguida pelo gavião, resolveu partir.


E viajou ainda na madrugada para ganhar tempo.


Vruckt -vruckt! Faziam suas asas no silêncio da manhã que ia quase nascendo.


Quando percebeu estava numa cidade pequena, mas as torres da igreja alta.


_ É para lá que vou, pensou a coruja e arrastou sua mala num voo deslizante céu abaixo.


Naquele instante. o padre batia o sino chamando para a oração matinal.


_Que badalar alto de sinos!_ Resmungou a coruja, que desistiu de fixar moradia na torre da igreja.


Resolveu voar mais um pouco antes do sol nascer completamente.


Nisso, chegou numa fazenda com o cantar dos galos. “Cocorocó”, gritava um galo de grandes esporões bem no terreiro.


_ Uau, minha santa mãezinha! Esse bicho deve passar o dia fazendo barulho e como vou dormir? Falou para si a coruja já cansada de voar com sua mala.


Finalmente, quase o sol despontando por trás das árvores, a coruja avistou um fazendeiro com um balde subindo a porteira do curral.


_ Mooom! , mugiam as vacas.


A coruja gostou daqueles animais tão gordos e grandes e com um som estranhamente de quem não se importa com o homem mexendo em suas tetas para tirar leite.


Olhou ainda do alto e viu uma mulher pela janela da cozinha. Vinha um cheiro de alimento tão bom e se ouviu:


_ O café está quentinho! Venha, José, que está na mesa.


A coruja baixou e pousou numa madeira da cerca. Olhou de lado, virando seu pescoço e esperou para ver quem era o José.


_ Meu pai do céu!


Thuckt-thuckt! Thuckt-thuckt! Fazia o trenzinho que um menino pilotava. “Atenção, Seu maquinista, bota fogo na fornalha!”, a coruja ouviu o menino gritar na brincadeira do trenzinho de plástico.


A coruja nem quis saber de mais nada. Pegou sua mala e resolveu voltar o mais rápido para casa.


Quando chegou, não falou coisa alguma. Não contou do sino da igreja, nem do cocorocó do galo e muito menos que ficara apavorada com um menino brincando de trenzinho. Pois chegou num voo silencioso, colocou a mala num canto de um galho e fechou os olhos para descansar.


Nunca mais se ouviu dentro da floresta que a coruja quisesse viajar. E ninguém até hoje sabe por que as corujas ficam escondidas dentro da floresta ou da mata. Eu só descobri que a coruja viajou e voltou sem abrir a mala por, acreditem se quiser, eu sonho com os animais da mata brasileira todas as noites. Parece mentira, mas é possível acreditar.


Flipt-flit, flopt, flopt! Que a história terminou!

♥ O vestido da joaninha ♥


Todo vermelho
Todo vermelho
Oh, olha as pintinhas pretas!
E nunca ninguém usou
Vestido mais belo assim!
Ah, dona joaninha
É por isso que a senhora caminha
Numa beleza de balanço
Em cores vistosas!
Quantos, quantos insetos
Andam na fila
Gritando em poema:
“É tão estampadinha”?
Ah, que com esse vestidinho
Não posso disfarçar meu amor.



Chegou Edumanes:

O Vestido da Joaninha,
Muito bonita, sorridente
Lá vai ela toda pipinha
Muito feliz e contente.

A Joaninha agraçadinha,
Muito educada também
Por ser boa menininha
Muitos amigos tem.

Ela sonha, ela grita,
De contentamento
Anda numa rada viva
Voando no pensamento.

Ela sonha com amor,
Estará ela apaixanada
No jardim colheu uma flor
Por ela foi perfumada.

Ficou toda bem cheirosa,
Com o seu vestiso encantador
Leva nas mãos uma rosa
Para dar ao seu amor!

Li o poema escreveste tu,
Lindo nome tem a senhora,
Parabéns à sua autora,
Teresa Cristina flor de caju.

♥A Carta de Natal da Gatinha Floc ♥





A gatinha Floc sentou-se na cadeira para escrever uma carta.

Pegou papel e caneta com olhares alegres, porque estava chegando o Natal.

Arrumou bem as patas em cima da cadeira, suspirou e ficou por uns instantes com sonhos no coração. Tinha tantos brinquedos para pedir, tantas bonecas, que queria pedir com cuidado para não errar, pedindo uma e pensando em outra.

Quase que senti seus olhos faiscantes de ideias e também com sensações bem registráveis de esforços para pedir a mais bela boneca.

Passaram-se alguns minutos, dois a três, com ela parada refletindo. Escreveu a primeira linha logo depois do local e data:

“Querido Papai Noel,”

Parou. Pensou. Retornou a escrever.

Ergueu um pouco a caneta.

Leu o que escreveu.

Gostou. Então, sorriu e se despediu enviando um beijo para o Papai Noel.

Os olhos tinham a fisionomia de uma expressão de satisfação.

Floc caminhou até a mesa e colocou a carta no lugar em que o dono da casa tinha por hábito colocar a correspondência dos correios.

Houve um silêncio de quem está feliz com o que faz.

Que pediu Floc? Ah, ela pediu foi um ratinho de pelúcia!

É preciso distração, hein? Que ela saiu correndo para a cozinha toda saltitante –

Miau!
Teresa Cristina.


(((o)))o(((o)))o(((o)))

Chegou o Edumanes
A Gatinha Floc,
Escreveu uma carta de Natal
Com certeza vai ter sorte
Merece uma prenda especial,

Na caneta pegou
E numa folha de papel
As letras desenhou
Não precisou do pincel.

É muito abilidosa
Até sabe arrumar as cadeiras
Tambem é muito gulosa
Nunca faz asneiras.

No sofá não arranha
Com tudo é muito cuidadosa
Quando vê pessoa estranha
Fica toda mais vaidosa.

O que será que ela pediu
Ao Papai Noel
Escreveu a carta e sorriu
Sem amarrotar o papel!

♥A festa de aniversário do bem-te-vi ♥



O bem-te-vi era o pássaro mais conhecido da rua dos cajueiros. E naquele dia era seu aniversário. Com muita alegria saiu cantando ao som de BEM-TE-VIS que ficou uma beleza na manhã de novembro.

Ele convidou o sabiá, o pardal, os periquitos e todos os outros pássaros que costumavam ficar por ali na vizinhança. Até uns urubus que gostavam de pousar nos galhos altos de uma velha amendoeira foram convidados.

Não pediu que levassem presentes. A festa seria logo depois do meio-dia. E mesmo quem não fora convidado poderia entrar. A entrada era gratuita.

O primeiro canto da festa seria dedicado aos convidados.

E todos chegaram quando o sol gingava com seus raios como tema de luz e calor. Então o bem-te-vi inovou e soltou a voz:

_ BEM-TE-VI, BEM-TE-VI, BEM-TE-VI!

Criando uma mistura de repetições tão idênticas que os convidados julgaram ser um autêntico concerto de bem-te-vis pela tarde afora.

Para completar a festa em alto astral, todos os pássaros levantaram a cantar com seus repertórios que a rua se enfeitou de melodias de tal modo que as pessoas abriram suas janelas, celebrando também o aniversário do bem-te-vi.

E num clima de cantos de passarinhos, a festa arrancou elogios de todos os convidados!

Teresa Cristina.

Trago hoje esse lindo conto da querida Teresa e aproveito para festejar o niver da sua netinha e já tão minha amiguinha, a Ana Letícia, que amanhã, dia 23, completa 4 aninhos!

Parabéns à Aninha e para toda família!

beijos,chica

♥Convite de viagem♥



Convite de viagem

Hoje de manhã no céu havia tantos pássaros

Que meus olhos viajaram.

E na viagem encontrei pipas e aviões de papel.

As, nuvens, tão brancas, pairavam ao lado do sol.

De uma maior vinha uma sensação de flocos de algodão.

Alguns bem-te-vis voavam para e para cá com seus cantos.

A música misturava-se docemente com o vento

E meus sentidos deviam estar nessa melodia

Que julguei me encontrar de braços abertos, voando.


* Foto chica


Chegou a Ana Marly

Voa, voa andorinha...

Ana Marly de Oliveira Jacobino


Céu azul neste final de verão,
Últimos retoques no seu ninho
Carrega a palha entra em ação
Retira-a do telhado do moinho!

Andorinha, logo voa em migração.
Pelo interior da velha igreja,
Chilreia para chamar a atenção
Igual aquela cantora sertaneja!

Olho a dança das andorinhas,
Lambada, mambo, rock, samba,
Em um festival de marchinhas
Grito bem alto:”Ai,ai,caramba!”

♥ A menina e o pirulito ♥



A menina e o pirulito




Era dia de chuva

A menina quis ir brincar

Não podia

A rua estava molhada



A menina sentou quieta

No sofá da sala

Snif, snif!



E era domingo

Dia de tio Pipo

Trazer pirulito



Quando o tio Pipo chegou

Debaixo de um guarda-chuva

Havia um sol no rosto dele

Tão bonito era o sorriso



A menina pulou

Fez careta para a chuva

Depois sentou nas pernas do tio

Toda melada de pirulito.


teresa Cristina-flordecaju


*Imagem daqui


Chegou a Livinha

Se não havia sol
tio Pipo trouxe pra mim,
quando o outro sol chegar
brinco com o tio no jardim...

Chegou Ana Marly

Chupa-chupa ou Pirulito!?

Ana Marly de Oliveira Jacobino

Chupa-chupa pirulito açucarado
Enquanto, a chuva cai no quintal
Tio Pipo sorrindo chega fardado,
Carrega na cintura grande arsenal./

Piru, piru, piru, piru,pirulito.../
Caramelo, chocolate, marsmallow!

Delícia! Chupa-chupa caramelado,
Um sol de açúcar muda meu astral
Arsenal do tio Pipo, agora adaptado
Em formatos e fantasia de carnaval!

Piru, piru, piru, piru,pirulito.../
Caramelo, chocolate, marsmallow!

♥ ♥ ♥ O mar...♥ ♥ ♥



O mar tem tardes
de vozes de criança
e o sol bate-lhe nas águas
tais dourados sonhos!
Não muito longe,
deve haver um barquinho
com ares de quem vai
ganhar o oceano...

Chegou  José



"O mar enrola na areia
ninguém sabe o que ele diz
bate na arei e desmaia
porque se sente feliz"

♥ ♥ ♥O relógio♥ ♥ ♥



O relógio


O relógio cansadinho
Quer parar

Epa, espera já
Que a corda vou enrolar

Tá-tá-tá-tá, tá-tá-tá-tá,trrrr

Move-se o pêndulo
E as horas começam a cantar

Tic-tac, tic-tac-tic-tac, tic-tac-tic-tac-tic-tac
Em delicada alegria

Por todo o dia...
Por todo o dia...

Teresa Cristina-Flor de caju


Chegou a Soninha


O reloginho cansado
Precisa se descansar
Senão, ele entra em greve
E não vai mais, trabalhar
Não vai acordar as meninas
Tão lindas e tão traquinas
Pra irem à escola,estudar!



♥ ♥ ♥ O Cachorrinho Voador ♥ ♥ ♥



O Cachorrinho Voador


Titico é um cachorrinho com rabo fino, com um corpo cinza-chumbo e uma capa vermelha nas costas.

Costumava subir nas poltronas e, atento ao menino, pulava com latidos alegres:

Au-au,au-au!

Ficava um som que entrava como música, como se tudo fosse a brincadeira dele e do menino.

Suspirava-se o ar da casa e vinha um prazer de se ter um cachorrinho amigo. As meias rasgadas, os vasos de plantas mexidos eram perdoados.

Mas por que ele não tirava a capa para dormir...?

Os animais da vizinhança perguntavam dos portões fechados:

- “Ele pensa que vai voar?” e o menino respondia que cachorro podia sim voar.

Então, espalhou-se a notícia de que o cachorrinho subia no vento, nas horas escuras da noite. Uns diziam que o viram perder-se numa sombra confusa de nuvem.

Desaparecia do quintal, da varanda, da rua. E logo, logo todos passaram a acreditar. Onde apenas o menino brincava com ele, pois os dois eram figuras inseparáveis e tinham muitas histórias para contar.

E de repente, um dia no início do ano, o menino passou sozinho com os pais para a escola.

O cachorrinho ficou com seu au-au de gritos frágeis no portão da casa.

Ninguém entendia o porquê daquilo.

“Teria o cachorro perdido seus poderes? Viram como o cachorro ficou abandonado? Ainda seria o amigo do menino?”

Mas o cachorro continuou no portão, quieto, com os olhos na rua, aguardando o menino chegar...

Teresa cristina-Flor de caju


Chegou a Soninha


Cachorrinho que voa longe
Pode, nunca mais voltar
Se perder pelo caminho
E se sentar,para chorar
Ficar bem encolhidinho
Lá na curva do caminho
Pra alguém,ir lhe buscar.

* Banho de sol

Banho de sol


Um gato bocejava
Em cima do muro
“A tarde é a melhor hora... “
(Começava a sentir
O corpo mole)

O sol veio, do alto,
Com seus raios claros
(A boca redonda sempre sorrindo)
O vento de lado, manso e fresco,

E, quase num sonho,
O gato sente um calorzinho nas patas
Eita! Que lugar ao sol!
 

* Pipa


Ali bem perto
a visão de um menino
a segurar uma pipa.

O colorido do papel
quer ir-se até as nuvens
(só uma vez)
e não consegue!

Mas a linha foge
das pequeninas mãos
e sai viajando pelo céu...

* Formiguinha curiosa



Formiguinha curiosa

Um pingo d'água no chão da cozinha
e uma formiguinha decidida a caminhar:
trique, trique, trique...
mais um passinho: trique!

E um grito esquisito: “Aeeeh!...”
Mas toda lustrosa de curiosidade,
com uma das mãos em concha,
no dobrar do corpinho:“Hummm!”.

Ainda abaixada
balança as anteninhas
deslumbrada com o sabor da água.

E as mãos marrons, de unhas pretas,
quiseram uma e outra e vez
provar do líquido, para conferir,
se servia de comida mesmo!

E a formiguinha passa
a língua pelo chão,
como experiência!


Chegou José

A formiga no carreiro
lá vai ela caminhando
caminha o dia inteiro
anda sempre trabalhando

Chegou Dalinha

Olá Chica e amigos do sementinha,
Estive viajando mas já estou de volta com minhas contribuições.
Meu carinho a todos.
Dalinha Catunda

FORMIGUINHA ATENTA

Uma formiguinha atenta,
Jamais cairá em cilada.
Anda pra lá e pra cá,
Sempre desembaraçada.
Procura seu alimento
Sem medo ou tormento
Pois está sempre antenada

* Castelo de areia


Criança na praia
na beira do mar
com grãos de areia
fazendo castelo
que bom é brincar

As mãos crescendo
torres bem altas
sempre de guarda
para a maré
nunca espiar

No correr dos dedos
ladrilha os salões
do amplo castelo
tão seu e não pode
nele morar

Ah, mas ser rei
de um castelo
na beira do mar
é só para quem
sabe sonhar


Chegou José
Castelos feitos na areia
feitos de areia molhada
e depois com a maré cheia
fica a areia e mais nada.

Chegou Ana Marly

Castelo de Areia

Amboise, Angers, Blois, Chambord,
Castelos franceses de lutas e epopéia
Ajuda, Búzio, Canoa Quebrada, Galinhas
Criança na praia brinca de castelo de areia!

* Traquinagens de Pepe


Pepe é um preá pequeno
Todo dia de manhã
Ele sai para tomar banho de sol

Outro dia ele viu o Senhor Cupim
Guardando uns sacos de pó de madeira
Para o inverno

Pepe ficou bem quietinho observando
Quando o sol entrou pela porta do cupinzeiro

E todos foram descansar
Pepe enfiou o focinho na terra

Cavou um túnel até o salão de pó
Entrou de mansinho
E rasgou o saco em que o Senhor Cupim guardara
Com tanto cuidado o alimento

Foi pó para todo lado!
Tof, tof, tof! O cupinzeiro acordou com tosse

Pepe saiu correndo aos risos
Mas o pai de Pepe não gostou da brincadeira

Colocou-o sentado num banquinho
De castigo pela traquinagem


* A fadinha e a joaninha


Estava uma pequena fadinha
Num jasmim assentada
A mirar o sol partir
Também no jardim uma joaninha

A caminhar... pela haste da flor
E Fadinha com carinho:
“Como vai seu netinho, Joaninha?”

Esta se borda de sorrisos
Olha a estrada a se perder de vista
O sol escondido agora detrás de uma pedra...

“Deve estar voltando da escola... Era só um resfriado!”
E se achega para mais perto de Fadinha.

A noite mansa, a montar numa brisa leve
... Enrosca-se no silêncio e no perfume das flores
Entre as amigas mudas palavras figuram

Os sentidos na cantiga do vento
Ele vinha quase rente aos pés das estrelas...

E ficam lá balançando as pernas no sossego da noite
Assentadas nas pétalas da flor
Teresa Cristina


* Imagem fadinha daqui

Joaninha do Google

* A expressão da saudade...


Havia um pé de mamão
Velho e cansado
As chuvas quando vinham
Tentavam alegrá-lo

Porém aos prantos
Chuá, chuá, chuá
Suas folhas largas n’água choravam

Chegava o sol
Tinindo de alegria
Com os braços vermelhos de calor

E de propósito incidia sobre sua copa verde-amarelada
Queria ao menos vê-lo praguejar
De resposta, um dobrar das folhas

“Papaia... vermelhinho
Cor de fogo
Encarnadinho...!”

Um sanhaço-cinza joga
A cantoria no ar

“Mamão... mamãozinho...
Olha aqui um passarinho... “

Uma pausa. Morre-lhe o gorjeio.

Precisamente nesta hora
As folhas da árvore
Iam se vergando ao talo

Um bater de asas triste
Um voo irregular
Como se entortasse o vento

“Ai, meu velho amigo mamoeiro
Demorei a te visitar!”


“Seria um sonho?
A vida ainda vai me deixar encontrar o sanhaço

Aos cânticos em linda melodia
Fiv, fiv, fiuifivi, fiufvii, fiv...
Em que eu balançava minhas folhas ao vento
Nas manhãs de sol?

Ah, achega-te meu passarinho!”


E o mamoeiro maravilha a natureza
Com o coraçãozinho batendo tal em datas menino
Erguendo o corpo para ganhar
A visita do amigo.
Imagem daqui

Chegou JOSÉ
Ele dá uma picadinhas
olhando assim de soslaia
para ver as sementinhas
lá no fundo da papaia

E andam sempre nesta vida
os pobres dos passarinhos
sempre em busca de comida
para levarem aos filhinhos

* O ataque do gavião...


No alto da porteira, o galo Zé endireitou os esporões para cantar; alisou as barbichas, moveu a cabeça para um lado e outro com cuidado nos brincos grandes e vermelhos; e empinava-se a cacarejar quando divisou um gavião a voar baixo sobre a fazenda.

Ratatatá... O coração começou a bater. Os olhos a viajar no inimigo. Calculou que naquela hora Dona Branca estava a sair com os pintinhos para passear.

COCOROCOCÓ! Saltou no meio do terreiro: era o aviso de perigo.

Os filhotes primeiro um a um no galinheiro...

ERA O GAVIÃO... ERA O GAVIÃO!

Na voz do galo Zé o ar de comando. Todos... todos... todos... com pressa e muita atenção.

Quando já ia fechando a porta, Zé notou que tinham se esquecido do pintinho Kiko. Abriu um sorriso de cuidado e o ajudou: “Não saia de perto da mamãe!”, cacarejou. E de rosto sisudo a chave na porta passou.

Então, houve silêncio!... Pintinhos debaixo de asas; Zé com os franguinhos na porta do galinheiro. Zimmmm!... o inimigo num voo rasteiro. O rumor nas telhas caminhando... caminhando... até perder-se do outro lado do mundo!

Ainda no esconderijo um aviso sério:

“Não se afastem do terreiro!” E Zé saiu com andar de rei

“Ah, meus pintinhos o gavião não pega, não!” Sobre ele o olhar respeitoso de todos.

Teresa Cristina-Flor de caju

Chegou a Dalinha

PINTO DESOBEDIENTE


Pinto que desobedece
E não presta atenção.
Não segue a mãe galinha,
Sempre arranja confusão.
Por ser desobediente,
Acaba sendo presente,
Paro o faminto gavião

* Neno , o Pirilampo



U ma certa vez a noite ficou negra de dar medo
A lua não veio
As estrelas foram cobertas pela sombra das nuvens
O menino não foi brincar de pica-esconde
A coruja piou mais cedo
O vento se escondeu zangado por entre a folhagem
Perdido no alto dos galhos
Acordando os filhotes dos animais
E tudo, tudo ficou numa escuridão profunda
Então... Pirinlam!
Apareceu uma luzinha bem pequenina
Veio de mansinho... tomando chegada
Esverdeando as matas colorindo os caminhos
Era Neno o pirinlampo
E como a lua era vaidosa
Com receio de perder seu posto
Para um simples vagalume
Decidiu que era noite de lua cheia

* A lagartinha Vivi


A lagartinha Vivi
Sentou numa cadeira de gravetos
Ficou ali esperando o sol abrandar
De repente, ele se escondeu por trás de uma folha
Muito depressa Vivi sapateou pelo chão
A balançar seu traseiro
E se foi aproveitando a sombra
Não queria perder sua cor verde-limão


Chegou DALINHA

Lagartinha esverdeada
que se arrasta pelo chão.
não quer perder sua cor,
pois adora o verde-limão.

O verde é a esperança
que tem a lagartinha,
de virar uma borboleta,
daquelas bem bonitinha.