A bicicleta do Zé era muito diferente,
não dá nem pra acreditar!
Andava de trás pra frente,
não tinha como parar...
Tinha um selim de madeira,
quadrado de machucar.
Quando descia a ladeira,
não dava pra se sentar!
O cambio era bem gozado,
só duas marchas pra trocar.
Era todo atrapalhado,
não adiantava xingar!
A corrente dela escapava,
se pedalava mais forte.
Depois ela engarranchava,
só não quebrava por sorte...
Tinha pedal só dum lado
e a coroa não tinha dente.
Só um e tava quebrado,
não segurava a corrente!
Só na banguela ela andava,
se o cara perdia o gás.
Quanto mais se pedalava,
mais ela andava pra trás!
Uma roda era empenada,
e nem um raio ela tinha.
Outra roda era quadrada,
cantava feito galinha.
O guidão era um caninho,
de ferro de construção.
Naquele cano fininho,
não tinha lugar pra mão!
Se alguém estava passando,
Zé tocava a campainha.
Parecia estar tocando
numa lata de sardinha!
De verde tinham pintado,
com uma faixa amarela,
o quadro todo arranhado
da bicicleta magrela.
Parecia um periquito,
a bicicleta do Zé.
Falava muito esquisito
e se chamava Poisé!
Mas o Zé era um atleta
e andava pra todo lado.
Quem não tinha bicicleta,
pedia sempre emprestado.
Se o cara tinha coragem,
não tinha nenhum perigo.
E o Zé por camaradagem
emprestava pro seu amigo
O Zé tava satisfeito
com sua amiga, Poisé.
Quem não sabe andar direito,
é melhor seguir a pé!