♥ De papo pro ar... ♥




De papo pro ar ficar,
de aprender eu iria gostar,
no corpo tem uma formiguinha,
que não me deixa quietinha.

Meu sofá anda reclamando,
foi comprado com carinho,
mas inútil está se sentindo,
pois não acho o seu caminho.

Também reclama a televisão,
que seria a diversão,
mas para ela não dou atenção,
ela acha que é pura rejeição.

Então, a tal formiguinha explica,
sofá é pra visita,
televisão é só para ouvir,
porque curto foi o verão,
o outono passa rápido,
o inverno bate à porta,
o celeiro precisamos abastecer.

É muito bom de papo pro ar ficar,
tem o tempo de trabalhar e o de descansar, 
vou falar com a formiguinha,
seu sofá e dona televisão podem me esperar.





♥ D.Maroca... ♥








Ia de lá pra cá,
D.Maroca agitada.
parada não sabia estar
não aguentava esperar!

Quem haveria de vir,
D.Maroca buscar?
Ah! Quem viesse, iria ouvir:
_ Não posso me atrasar!

No ballet não queria faltar
sapatilhas já colocadas!
Ela adorava "bailar", 
com pés e língua bem afiada!!!

Lá tinha sua turminha
 adoravam fofocar...
Quem chegasse atrasada
 "vítima" poderia se tornar!

Apesar de tanta idade, 
fortes e com tanta disposição
 aprendiam a dançar e esqueciam
que fofocar, não faz bem ao coração!

Se cada um de si cuidar
o mundo  ficará melhor! 
Amizade há de se regar, 
não tem essa de melhor ou pior!!

chica



♥ SOPA DAS MASSAS GIGANTES ♥





Era uma vez um menino chamado Artur e que era muito bem comportado. Tanto em casa como na sua escolinha todos os meninos e educadores gostavam muito dele. Os seus desenhos eram sempre muito lindos, gostava muito de aprender coisas e adorava partilhar aquilo que era seu. Brincava muito, era muito respeitador para com as pessoas mais velhas e procurava sempre ser um bom menino.


Com os seus coleguinhas e amigos dava-lhes sempre as suas bolachas e quando jogava um jogo com eles deixava que eles ganhassem algumas vezes para eles não ficarem tristes por perder; assim ganhavam todos e, no fim, todos ficavam sempre felizes e amigos uns dos outros.

Em casa, o Artur era também um menino de quem os pais gostavam muito porque ele era realmente um menino muito especial.

Certo dia, o Artur que adorava comer sopa, reparou que a sopa que a sua mãe lhe deu era diferente, parecia especial. “Aquela não era uma sopa qualquer, não, tinha qualquer coisa de mágico e estranho” – pensou.

- Mãe, esta sopa tem massas gigantes. - Disse ele, espantado, olhado para o prato.

A mãe olhou para ele e riu-se da observação.

- Pois tem. – Disse-lhe então, reparando, também ela, que de facto as massas eram maiores do que habitualmente punha na sua sopa.

- Sabes, Artur – explicou-lhe ela - esta sopa não foi a mãe que fez: é mágica e foi feita por um duende que a veio trazer.

- Um duende? O que é um duende? – Perguntou o Artur à mãe.

– Os duendes são seres muito pequeninos que vivem muito longe, numa floresta encantada e que gostam muito dos meninos que comem sempre a sopa e que se portam bem. Por isso, como prémio, eles decidiram trazer-te esta sopa com massas gigantes por seres um menino muito especial.

- Deve ter sido muito difícil para eles carregar estas massas gigantes às costas - concluiu o Artur.

- Sim, sim, muito difícil, mas eles são fortes e prometeram que se continuares a ser um menino bem comportado vão continuar a trazer-te mais sopa mágica, como esta, e com massas ainda mais gigantes...

- Boa, Mãe!!! – gritou o Artur todo contente. - vou continuar a portar-me bem – e comeu a sopa toda.

♥ O PORQUINHO PITOCO ♥

Jairo Valio



Muito sapeca, fuçava todo o terreiro,

e quando mamava na mamãe gorducha,

era guloso e se banqueteava no leite farto,

brigando com os irmãozinhos menores,

disputando as tetas como se fossem só suas.


A mãe olhava de soslaio o filho briguento,

mas dele tinha uma estranha preferência,

por ser tão diferente, na cor preto e branco,

destoando da ninhada onde todos eram pretinhos,

e isso chamava a atenção da criançada vizinha.

Pitoco corria atrás das galinhas no terreiro,

roubando suas quireras derramadas no cocho,

espantando todas numa algazarra infernal,

e só se acalmava quando o galo lhe enfrentava,

pois tinha receio de suas esporas tão afiadas.

Quando estava farto de tanta gulodice

procurava um canto onde queria dormir,

e quando estava roncando vinham as crianças,

que carregavam no colo o porquinho bonito,

para tomar o bainho do dia que tanto adorava.


Pegavam shampoo até deixar a água espumosa,

esfregando seu couro espesso com a escova grossa,

tirando carrapichos que na pele grudavam,

e até carrapatinhos atrevidos chupando seu sangue,

e depois de limpinho Pitoco ficava uma gracinha.


Embrulhavam numa toalha felpuda seu corpo bonito,

para brincarem com o porquinho na sala de espera,

e como se fosse um cachorrinho bastante sapeca,

corria atrás de brinquedos e escondia atrás do sofá,

até que Pitoco era encontrado e todos gargalhavam.


Ficava depois ronronando no colo da criançada,

sabendo que logo teria o leitinho na mamadeira,

adoçado com mel e misturado com canela moída,

que vinha quentinho e Pitoco mamava guloso,

e nessa vida gostosa era o xodó das crianças.