♥ Trapezistas ♥




(Anne Lieri)

Voam no céu trapezistas
No alto do picadeiro
São verdadeiros artistas
Corajosos e altaneiros!

O circo se paralisa
Com as manobras radicais
Sobem, descem, sintonizam
E a plateia pede mais.

Aplaudem a bela artista,
Grita o menino também,
Faz um salto a trapezista
Cai nos braços do seu bem!

É preciso confiança,
Bastante concentração,
No trapézio a vigilância
É questão de atenção!

Nesse circo voador
Há suspense e emoção
O trapézio tem valor
Se feito com todo amor!



♥URSINHO BRIGUENTO ♥






 URSINHO BRIGUENTO

Hull de La Fuente
Na floresta, dois ursinhos,
passeiam catando fruta
são ambos engraçadinhos
mas adoram uma disputa.

Um gosta muito de amora
o segundo de pescar
e brigam a qualquer hora
pra dona Ursa os separar.

O menor é mais briguento,
qualquer dá cá esta palha,
O nosso ursinho birrento,
diz que é atleta e que malha.

Chama logo para a briga
o irmão fica olhando:
-vamos parar com intriga
e continuar brincando.

Mais um dia de folguedo
Está quase terminando
E o nosso urso azedo
Já cai no sono roncando.


 

♥A coruja viajante ♥


Teresa Cristina/Flor de Caju


Dentro, muito dentro da floresta viviam as corujas. E toda noite elas acordavam, fosse noite estrelada, fosse noite de completa escuridão, ah, em noites de luar elas agitavam as asas e voavam acordando a todos os animais.


Mas as noites chegavam ao fim. E nessa noite, era já quase madrugada quando...


Vruckt! Passa de repente uma coruja branca num agitado rufar de asas.


Uma coruja velha pergunta:


_ Aonde vais, querida? (disse preocupada por uma coruja querer andar quase em horas de o sol nascer).


_ Vou viajar e conhecer o mundo, disse a coruja colocando a mala no chão. E sentou em cima dela muito calma.


A floresta se calou por medo do que poderia acontecer com essa mudança de hábitos das corujas. Imagine se outros animais resolvessem também viajar? Ai, ai! A floresta ficaria diferente. E agora, quem iria piar nos galhos da velha árvore de pau-brasil?
Meu Deus, que desastre! Que desastre!


Lá para o nascente, os gaviões começaram a erguer as poderosas asas para o voo matinal em que fiscalizavam tudo, inclusive os animais da floresta.


Mas a coruja mesmo sabendo que seria perseguida pelo gavião, resolveu partir.


E viajou ainda na madrugada para ganhar tempo.


Vruckt -vruckt! Faziam suas asas no silêncio da manhã que ia quase nascendo.


Quando percebeu estava numa cidade pequena, mas as torres da igreja alta.


_ É para lá que vou, pensou a coruja e arrastou sua mala num voo deslizante céu abaixo.


Naquele instante. o padre batia o sino chamando para a oração matinal.


_Que badalar alto de sinos!_ Resmungou a coruja, que desistiu de fixar moradia na torre da igreja.


Resolveu voar mais um pouco antes do sol nascer completamente.


Nisso, chegou numa fazenda com o cantar dos galos. “Cocorocó”, gritava um galo de grandes esporões bem no terreiro.


_ Uau, minha santa mãezinha! Esse bicho deve passar o dia fazendo barulho e como vou dormir? Falou para si a coruja já cansada de voar com sua mala.


Finalmente, quase o sol despontando por trás das árvores, a coruja avistou um fazendeiro com um balde subindo a porteira do curral.


_ Mooom! , mugiam as vacas.


A coruja gostou daqueles animais tão gordos e grandes e com um som estranhamente de quem não se importa com o homem mexendo em suas tetas para tirar leite.


Olhou ainda do alto e viu uma mulher pela janela da cozinha. Vinha um cheiro de alimento tão bom e se ouviu:


_ O café está quentinho! Venha, José, que está na mesa.


A coruja baixou e pousou numa madeira da cerca. Olhou de lado, virando seu pescoço e esperou para ver quem era o José.


_ Meu pai do céu!


Thuckt-thuckt! Thuckt-thuckt! Fazia o trenzinho que um menino pilotava. “Atenção, Seu maquinista, bota fogo na fornalha!”, a coruja ouviu o menino gritar na brincadeira do trenzinho de plástico.


A coruja nem quis saber de mais nada. Pegou sua mala e resolveu voltar o mais rápido para casa.


Quando chegou, não falou coisa alguma. Não contou do sino da igreja, nem do cocorocó do galo e muito menos que ficara apavorada com um menino brincando de trenzinho. Pois chegou num voo silencioso, colocou a mala num canto de um galho e fechou os olhos para descansar.


Nunca mais se ouviu dentro da floresta que a coruja quisesse viajar. E ninguém até hoje sabe por que as corujas ficam escondidas dentro da floresta ou da mata. Eu só descobri que a coruja viajou e voltou sem abrir a mala por, acreditem se quiser, eu sonho com os animais da mata brasileira todas as noites. Parece mentira, mas é possível acreditar.


Flipt-flit, flopt, flopt! Que a história terminou!

♥ Brincando na Chuva ♥



O céu estava carregado de nuvens escuras ameaçando chuva.

Homens, mulheres e crianças corriam a fim de chegarem nas suas casas antes do temporal cair. Algumas mulheres que se encontravam em casa buscavam recolher as roupas que secavam no varal e fechavam rapidamente as janelas para que as águas não molhassem os móveis.


Canários presos nas gaiolas cantavam alto como se implorassem que não os esquecessem do lado de fora pois corriam o risco de serem levados pelos ventos ou devorados pelos gatos que perambulavam pelos quintais nas noites escuras.

De repente raios iluminaram o céu e o barulho ensurdecedor dos trovões sinalizaram que ela, a tão esperada chuva, estava chegando.

Gotas pesadas de água caíam pela calçada, uma aqui outra acolá e, de repente foi como se todas elas se abraçassem a fim de formar um intenso véu de água cobrindo toda a cidade, lavando as ruas, enchendo lagoas, rios e riachos, molhando a plantação que há dias estava com sede e formando enxurradas onde as crianças colocavam os seus barquinhos de papel.

Algumas crianças desobedeciam os pais e corriam para se banhar na água que escorria das bicas de algumas casas, outras mais obedientes iam vestidinhas porém sem sombrinha e corriam para lá e para cá, risonhas, felizes, como se estivessem no paraíso, enquanto os pais gritavam inutilmente:

_ Crianças, voltem para casa, saiam da chuva senão vocês ficarão gripadas!!

Outros pais mais exaltados e ameaçadores gritavam esganiçados:
- Venham logo ou vou lhes dar uma bela de uma sova aí mesmo debaixo da água!!

As mães, mais pacíficas e conciliadoras falavam para os maridos:

- Deixa!! Deixa as crianças brincarem ora!! Elas estão com saúde, estão felizes, que mal faz??

- Fazer mal agorinha mesmo não faz, respondiam os pais exaltados, mas vamos ver amanhã se amanhecem gripados....Eu quero é ver!!

- Que nada!! Deus protege!! diziam as mães com uma pontinha de preocupação porém dispostas a não impedirem as crianças de curtirem aquela felicidade tão simples e pura.

Enquanto os pais conversavam as crianças se esbaldavam brincando na chuva, ensopados como pintinhos molhados e felizes como ninguém.

Aquela brincadeira eles levariam para sempre na sua memória, por toda vida.

Nada melhor do que ser criança e poder brincar com os amiguinhos de maneira pura e em harmonia.

Crianças, brinquem, mas obedeçam seus pais e educadores.

Pais e educadores, orientem as crianças mas sem serem muito rígidos, sejam compreensivos pois a infância passa rapidinho....