Hull de La Fuente
Num reino muito distante
Na Frigias, lá no oriente,
Apolo, em um rompante,
Com Midas foi inclemente.
Foi depois de uma disputa
De flautas com Apolo e Pan
Midas que estava na escuta
Disse de quem era fã.
Apolo, nada contente,
Com a preferência de Midas
Deu-lhe ali em um repente
Orelhas como espigas.
Eram orelhas de burro
E o rei ficou deformado
o rei quis lhe dar um murro,
mas teria piorado.
Desde então o rei passou
A usar belos turbantes
As orelhas ocultou
E era sempre elegante.
Só o seu cabeleireiro
conhecia o segredo
E sendo bem fofoqueiro
Só não contava de medo.
O cabeleireiro então
Teve uma ideia genial
Fez um buraco no chão
No meio de um matagal.
Ali então o fofoqueiro
Falou quase num sussurro,
Como para o mundo inteiro:
“Midas tem orelhas de burro”!
Depois tapou o buraco
Com aquele seu segredo,
Cabeleireiro velhaco,
Já não sentia mais medo.
Porém naquele lugar
logo um bambuzal cresceu
e o vento pôs-se a anunciar:
o que o cabeleireiro escondeu.
O reino todo ouvia
O vento do bambuzal
E o que ele dizia
Virou o assunto geral.
Midas tem orelhas de burro!
O segredo foi desvendado.
Midas só não dava esturro
Porque era educado.
O rei então fez cortar
o bambuzal delator,
que crescia e voltava a anunciar,
seu segredo, aquele horror.
E assim passou a vida
O rei da Frigias, na história.
Quem quiser conte em seguida,
Outro fato de memória.